Ataques em Boston não eram parte de plano maior, diz governo dos EUA

terça-feira, 16 de abril de 2013




16/04/2013 16h44 - Atualizado em 16/04/2013 18h01

Ataques em Boston não eram parte de plano maior, diz governo dos EUA

País ampliou medidas de segurança 'visíveis e invisíveis', diz secretária.
Explosões em maratona em Boston deixaram 3 mortos e 176 feridos.

Do G1, em São Paulo
 

A secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, disse nesta terça-feira (16) que não havia indicação de que os ataques a bomba que mataram 3 pessoas e feriram 176 em Boston na véspera, sejam parte de um plano mais amplo.
Napolitano afirmou que "por excesso de zelo" as autoridades iam manter as medidas de segurança -visíveis e invisíveis- ampliadas no sistema de transportes do país.
Ela pediu ao público americano que fique vigilante e que imediatamente relate às autoridades qualquer sinal de atividade suspeita.
Investigação
O FBI, polícia federal dos EUA, assumiu a chefia da investigação do ataque da véspera, ocorrido na linha de chegada da tradicional Maratona de Boston.
O local está sendo tratado como "cena do crime" e vai haver coleta de provas durante vários dias, informou Rick DesLauriers, agente especial do FBI, durante entrevista coletiva conjunta das autoridades sobre o caso.
O FBI não confirmou informações sobre detidos em relação com o ataque. O comissário Ed Davis, da polícia local, disse que ninguém está sob custódia.
arte mapa boston versão 5 (Foto: 1)
Várias testemunhas estão sendo ouvidas.
Fontes da polícia afirmaram que um saudita que estaria sendo mantido sob custódia no hospital, na verdade, apenas foi ouvido como testemunha.
A polícia pediu "paciência" aos moradores da região e disse que os cidadãos devem se acostumar com a segurança intensificada na cidade nos próximos dias.
Bombas poderosas
As duas fortes explosões ocorreram na chegada da Maratona. Segundo a polícia, as explosões foram causadas por duas bombas "rudimentares, mas poderosas".
O governador de Massachusetts, Deval Patrick, desmentiu que outras bombas não detonadas tenham sido encontradas no local.
Os dispositivos que explodiram foram embalados com pólvora, rolamentos de esferas e estilhaços para maximizar os ferimentos das vítimas, de acordo com uma autoridade policial com conhecimento da investigação, que não quis ser identificada.
Entre os mortos, está um menino de 8 anos de Dorchester, nas proximidades de Boston. Segundo o jornal, a mãe e uma irmã do garoto Martin Richard tiveram ferimentos graves na explosão.
Outra vítima era Krystle Campbell, de 29 anos, segundo a rede CNN e o USA Today.
Feridos
Algumas das vítimas terão de passar por cirurgia nos próximos dias, disse Peter Fagenholz, cirurgião do Hospital Geral de Massachusetts.
Fontes hospitalares ouvidas pela Reuters disseram que dez feridos tiveram membros amputados.
Uma criança de dois anos estava sendo tratada no Hospital Infantil de Boston por causa de um ferimento na cabeça, informou o hospital.
"Pedimos que todos estejam vigilantes. Qualquer atitude fora do comum, por favor nos avise", disse o governador Patrick.
Uma autoridade federal ouvida pela Reuters disse que é necessário descobrir se se trata de algum grupo nacional ou estrangeiro.
Agentes do FBI e da Segurança Nacional foram vistos entrando em um complexo de apartamentos na Ocean Avenue, em Water’s Edge. Diversos veículos da polícia foram vistos no entorno do local.
O garoto Martin Richard em foto divulgada pela família (Foto: AP) 
O garoto Martin Richard em foto divulgada pela família (Foto: AP)
O Corpo de Bombeiros de Revere informou ter sido acionado para auxiliar a polícia em uma busca em um apartamento de uma “pessoa de interesse”, segundo uma nota do departamento.
As explosões geraram uma cena de caos na cidade, com feridos e escombros pela rua e movimento de paramédicos. Por precaução, a agência de aviação civil dos EUA fechou o espaço aéreo sobre a região de Boston.
O incidente ocorreu no momento em que milhares de corredores terminavam a 117ª edicão da maratona, considerada a mais antiga do mundo, disputada desde 1897. Muitas pessoas estavam no local, em clima festivo, esperando pela chegada dos corredores.
As duas explosões, quase simultâneas, ocorreram por volta das 14h50 locais (15h50 de Brasília).
Testemunhas falam ter visto feridos graves, com membros amputados, e muito sangue.
A prova deste ano era disputada por pelo menos 131 corredores brasileiros.
Terceira explosão
A polícia também havia informado que uma terceira explosão atingiu a Biblioteca e Museu Presidencial JFK, também em Boston, a 5 quilômetros do local da maratona. Rachel Day, porta-voz da biblioteca, disse que houve um incêndio no local, mas sem feridos.
Krystle Campbell em foto de perfil feito por amigos em sua homenagem no Facebook (Foto: R.I.P. Krystle Campbell/Facebook) 
Krystle Campbell em foto de perfil feito por amigos em sua homenagem no Facebook
(Foto: R.I.P. Krystle Campbell/Facebook)
Segundo a polícia, esta explosão não estava relacionada com as ocorridas na maratona.
O comissário de polícia Ed Harris disse que não havia conhecimento de nenhuma ameaça anterior aos incidentes.
Os policiais também pediram que a população não se reúna em grupos e que procure se manter em suas casas.
Nova York em alerta
O departamento de polícia de Nova York aumentou a segurança nos principais marcos turísticos de Manhattan, incluindo áreas próximas de importantes hotéis, disse o vice-comissário da polícia local, Paul Browne. Browne afirmou à Reuters que a polícia de Nova York estava enviando veículos de contra-terrorismo para toda a cidade.
A polícia de Washington também aumentou o nível de segurança. Um cordão de isolamento foi posto em frente à Casa Branca, residência oficial do presidente.
Obama
O presidente dos EUA, Barack Obama, mandou reforçar a segurança no país após o incidente, que qualificou de "ato de terror", e prometeu investigá-lo "a fundo".
Ataques anteriores
O atentado foi o pior ataque a bomba no solo dos EUA desde que o militante norte-americano de extrema-direita Timothy McVeigh detonou um caminhão-bomba que destruiu um edifício federal em Oklahoma City, em 1995, matando 168 pessoas.
Dois anos antes, militantes islâmicos explodiram bombas nas torres gêmeas do World Trade Center, matando seis pessoas e ferindo mais de 1.000.

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