Candidatos pedem votos em áreas destruídas pelas chuvas na Serra.

domingo, 19 de agosto de 2012


Um ano e meio depois da tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio, candidatos pedem votos em áreas devastadas pela água. Na foto, uma placa de Rubens Bomtempo, ex-prefeito de Petrópolis e que volta a disputar o cargo, sobre escombros de uma casa destruída pelas chuvas


NOVA FRIBURGO, PETRÓPOLIS E TERESÓPOLIS - O cenário ainda é de destruição, mas não impede a busca por votos. Quase um ano e sete meses depois da maior tragédia da história do Estado do Rio e do país, candidatos a prefeito e a vereador em cidades da Região Serrana estão pegando carona eleitoral nos bairros devastados pelas chuvas. Caminhadas e distribuição de propaganda são alguns dos compromissos das agendas dos políticos. Oficialmente, a enxurrada deixou 918 mortos e 215 desaparecidos.
Em Petrópolis, município onde cinco candidatos disputam a prefeitura, o ex-prefeito Rubens Bomtempo (PSB) escolheu o Vale do Cuiabá para o primeiro ato de campanha. Ele fez promessas como a de criar uma Secretaria de Recuperação, Revitalização e Reconstrução do local, além de construir um memorial em homenagem às vítimas. Bomtempo também pendurou placas com sua foto nos escombros das casas levadas pela água.
— Seria incoerente não iniciar a campanha num local esquecido pela atual administração. Não vejo intenção eleitoreira. Quero levar políticas públicas para o bairro — diz Bomtempo.
No Vale do Cuiabá, há ainda propagandas do deputado estadual Bernardo Rossi (PMDB), candidato a prefeito apoiado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). Materiais de campanha de candidatos a vereador dividem o espaço. Um deles está exposto na casa do desempregado Carlos Eduardo de Oliveira, de 32 anos.
— Minha casa foi completamente destruída. Agora, pago aluguel. Não sei em quem vou votar. Na hora que minha família precisou, ninguém ajudou — afirma Oliveira.
Em Nova Friburgo, seis candidatos concorrem ao Executivo. O último prefeito, Demerval Barbosa Moreira Neto (PTdoB), foi cassado por desvio de dinheiro destinado à recuperação do município após as chuvas de janeiro de 2011. A propaganda da ex-prefeita Maria da Saudade (PSB) pode ser encontrada na Praça do Suspiro, no Centro, assim como a do também candidato a prefeito Jairo Wermelinger (PHS). No principal ponto turístico da cidade, o temporal derrubou a igreja e destruiu o teleférico, que não funciona até hoje.
No programa de governo, Maria da Saudade afirma “planejar as ações necessárias para recuperar pessoas e espaços dos efeitos da tragédia climática”. A publicidade da ex-prefeita e de Jairo ficam perto de placas dos governos federal e estadual sobre obras de contenção de encostas.
Por meio da assessoria, a candidata alega que sempre fez campanha na praça.
No bairro Córrego Dantas, a associação de moradores acusa três candidatos a vereador de se aproveitarem do drama da população para pedir votos. Jairo, por sua vez, participou de duas reuniões na região, onde poucas casas sobraram.
— Por conta da inércia do governo municipal, estou indo aos bairros. Fui às reuniões como engenheiro civil para orientar as pessoas e não para pedir votos — justifica Jairo.
Morador da Posse, em Teresópolis, o servente Rodrigo Gonçalves, de 30 anos, perdeu a casa e 12 parentes. Ele rasgou panfletos de políticos que apareceram no bairro, como os do deputado estadual Nilton Salomão, candidato do PT.
— Não aguento mais promessas — desabafa Gonçalves.
— Fui relator da CPI da tragédia da Serra. Dei voz à população — rebate Salomão.
O ex-prefeito Jorge Mário (sem partido) foi afastado por corrupção. Teresópolis tem oito candidatos ao cargo.
Bernardo Rossi não retornou as ligações.

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