20 de julho de 1969. Um gigantesco passo para a Humanidade.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

 
20 de julho de 1969. Um gigantesco passo para a Humanidade
A chegada do Homem à Lua foi sem sombra de dúvida uma das maiores conquistas concebidas pelo engenho humano. Foi a coroação de uma história repleta de descobertas e experimentos que começou com os chineses há mais de 700 anos e continua até os dias de hoje com as fantásticas missões que nos fascinam cada vez mais.


Depois de Armstrong e Aldrin, apenas 10 homens tiveram o privilégio de colocar os pés na Lua e caminhar em sua superfície, mas as lições deixadas pelo Projeto Apollo mostram que são os sonhos que impulsionam os Homens e nos fazem ir muito mais além.
De 1969 para cá muita coisa mudou.

Em 1969 não se imaginava que as naves Voyager existiriam e até ultrapassariam os limites do Sistema Solar, nem que mais de 200 planetas além do nosso Sol seriam descobertos em tão pouco tempo. Também era impensado que uma Estação Espacial seria construída com a colaboração de duas nações até então inimigas e imaginar que a China seria uma potência espacial era algo completamente fora de cogitação.

Realmente, de lá para cá muita coisa mudou, mas aquela vontade de ir um pouco mais além parece que não deixa mesmo os homens sossegados. Vira e mexe tem sempre uma sonda indo até Júpiter, Saturno e Plutão, mas a impensada colonização de Marte ainda continua sendo apenas um grande sonho. Um sonho? Mas afinal, não é disso que precisamos?
Parabéns Apollo 11!


 
Uma História Fascinante

No dia 20 de julho se comemora a conquista da Lua e não é uma tarefa simples descrevê-la em um único capítulo. Por isso preparamos um caderno especial, onde toda a história da Apollo 11 é contada com detalhes somente encontrados nos melhores livros, hoje em dia praticamente inexistentes.
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Foto: A pegada de Neil Armstrong em solo lunar é talvez uma das mais emblemáticas fotos feitas no século 20. Foi feita pelo próprio astronauta e se tornou capa de milhares de revistas e jornais em todo o mundo. Na sequência, vídeo feito pelo Apolochannel em 2009, quando se comemorou 40 anos da chegada do Homem à Lua. Crédito: Nasa.

As lições da Apollo 1 e o alto preço a pagar 
 
A missão de Armstrong, Aldrin e Collins era o apogeu do Projeto Apollo, iniciado oficialmente em 1961 com a promessa do presidente John Kennedy de levar um americano à Lua até o final da década. Desde o início todas as fases foram cumpridas dentro do prazo estabelecido e o primeiro foguete, o AS-201 decolou cinco anos depois, em fevereiro de 1966. Tudo corria bem até que um incêndio dentro da cápsula da Apollo 1 em janeiro de 1967 provocou a morte dos pioneiros Virgil "Gus"Grissom, Edward White e Roger Chaffee.

  
O acidente teve forte impacto entre os envolvidos no projeto. Desde o mais humilde servidor até os cientistas mais graduados, o sentimento pela perda dos astronautas provocou grande consternação. A convivência entre os membros da equipe os tornou muito próximos e revelou que a alegria pela conquista do espaço também tinha um preço a ser pago, mas que não seria justo que fosse tão elevado.

A tragédia com os astronautas custou à Nasa vinte e um meses de atraso e fez com que os engenheiros praticamente reprojetassem todos os módulos e realizassem mais de 1300 alterações no projeto. O acidente criou a "cultura da segurança", que passou a ser uma obsessão em cada setor envolvido.
 
 
"A partir de agora nenhum lançamento ocorrerá até que todos os sistemas tenham sido checados à exaustão. Qualquer coisa que possa significar uma falha, por menor que seja, será tratada como prioritária e fará a contagem regressiva ser suspensa até que a causa seja sanada. Aqui, o acaso não terá mais lugar". Com essa frase o lendário diretor de voo Eugene Kranz sacramentou a prioridade zero da Nasa e sob esse lema conduziu as maiores missões da agência espacial americana.

Fotos: Acima, os pioneiros astronautas Virgil "Gus"Grissom, Edward White e Roger Chaffee. Grissom foi o segundo americano a ir ao espaço na cápsula Liberty Bell 7 e White foi o primeiro americano a fazer um passeio espacial. Na sequência o lendário diretor de voo Eugene Francis Kranz. Crédito: Nasa.

Prenda a respiração. T menos 10 segundos e contando.

Em Cabo Kennedy a contagem prosseguia normalmente e apesar das atenções estarem voltadas para os astronautas no topo do foguete, o mérito de chegar à Lua não era apenas deles. Até aquele momento mais de 300 mil pessoas haviam colaborado com o projeto Apollo, consumindo uma quantia corrigida superior a 3 trilhões de dólares. 


O lançamento daquele dia era crucial para as ambições espaciais americanas. O país travava uma batalha épica contra os russos desde o lançamento do Sputnik em1957 e chegar à Lua antes deles seria uma espécie de xeque-mate que comprovaria a superioridade técnica do "mundo livre". Um ano antes os soviéticos tinham conseguido enviar as sondas não tripuladas Zond 5 e Zond 6 até a órbita lunar e eram os únicos que tinham capacidade técnica para isso, mas uma série de problemas impediram os russos de fazê-lo.

Na sala de comando de Cabo Kennedy, Eugene Kranz aguardava por aquele momento. Kranz era a própria personificação da Nasa e toda a metodologia de controle e lançamento havia sido projetada por ele, incluindo o conhecido desenho das fileiras de controladores que chamou de frentes, linhas e trincheiras, mantido até os dias atuais. Nada podia dar errado e um a um, todos os setores foram questionados se o lançamento podia ou não ser feito:

- Telemetria?
- "Go" (significava "vá em frente!")
- Rastreio?
- "Go"
- Propulsão?
- "Go"
- Médicos?
- "Go"
- Resgate?
- "Go"
- Bombeiros
- "Go"
- Injeção translunar?
- "Go"
- Potência?
- "Go"

Pelo menos 25 setores diferentes trabalhavam diretamente no lançamento e representavam milhares de pessoas. Cada "go" ouvido significava que centenas de pessoas haviam feito sua parte e que tudo estava checado. Após ouvir todas as confirmações necessárias, do alto da última linha de controladores Kranz comandou: "Ok. We go for Launch! (Ok, vamos lançar!).

Fotos: A primeira foto mostra a sala de controle do Kennedy Space Center momentos antes do lançamento, em 16 de julho de 1969. Acima, o comunicador de cápsula (capcom) Charlie Duke é visto à esquerda da foto tendo ao seu lado os astronautas Jim Lovell e Fred Haise. 

Potência Máxima. O Homem está a caminho da Lua!

A contagem regressiva prosseguiu e quando chegou a T-10 segundos todas operações de lançamento entraram no modo automático. O controle passara para os dispositivos internos do foguete e aquele gigantesco monumento de 110 metros de altura estava no comando. O poderoso Saturno 5 iria mesmo decolar e levar o Homem à Lua.
Sete..., seis,..., cinco, Sequência de Ignição Iniciada, quatro..., três...,dois...,um...,zero...Lançamento.



Quem assiste à ignição de um Saturno 5 está de fato testemunhando uma das maiores demostrações de força que existe. Propelido por cinco motores de combustível líquido projetados por Werner von Braun, o conjunto gera um empuxo de nada menos que 3.400 toneladas, uma força tão grande que chega a ser incompreensível.

Os relógios marcavam 10h32 da manhã de 16 de julho de julho de 1969. Envolto e fumaça e labaredas, por um momento o foguete parece estático, mas lentamente começa a subir. Dez segundos depois a portentosa máquina de 2900 toneladas está a 300 metros do solo e continua subindo. Consumindo 13600 quilos de combustível a cada segundo, o foguete já está 136 mil quilos mais leve. Perdendo peso, mas mantendo sempre o mesmo empuxo, o veículo acelera e em poucos segundos ultrapassa a velocidade do som. 


A voz de Neil Armstrong retransmitida pelo Centro de Controle parece trêmula, mas confirma que os motores estão à máxima potência, com a estrutura do foguete no limite da pressão aerodinâmica. O momento é crítico e em dois minutos e meio o primeiro estágio do Saturno 5 consome todo seu combustível e cai em direção ao oceano. Em Cabo Kennedy a multidão não perde um só instante e aplaude.

Em apenas 160 segundos de vôo o enorme foguete perdeu mais de 2 mil toneladas e lançou o conjunto Apolo11 a 60 km de altitude a uma velocidade de 8850 km/h, mas para vencer a força da gravidade é necessário ainda mais força e os cinco motores do segundo estágio do Saturno 5 entram em ignição, produzindo mais 500 mil quilos de empuxo.

Os giroscópios do foguete comparam a posição e corrigem o rumo da nave. A Apollo 11 descreve uma suave curva em direção à África e a 96 km de altitude a pequena torre de segurança no topo do conjunto é ejetada e também cai no oceano. O segundo estágio queima durante seis minutos e meio e arremessa a nave a 180 km de altitude a uma velocidade de 24 mil quilômetros por hora. Completada sua tarefa o segundo estágio é atirado ao mar e alguns segundos depois o terceiro estágio entra em operação. 


Para atingir a órbita da Terra a Apollo 11 precisa de muita força e somente um foguete do tipo Saturno 5 é capaz de fazê-lo. O terceiro estágio arde durante 165 segundos e proporciona ao conjunto um impulso extra de 100 mil quilos, mas ao contrário dos outros estágios ele não cairá no mar. O foguete ainda armazena bastante combustível e será usado na próxima fase, quando a Apollo será definitivamente acelerada em direção à Lua.

Desde o lançamento até o desligamento do terceiro estágio se passaram apenas 12 minutos. A nave já está em órbita da Terra a 180 km de altitude e viajando a 28 mil km/h, mas para alcançar a Lua uma série de manobras ainda serão necessárias. Em Terra, os controladores respiram mais aliviados. A primeira etapa, extremamente crítica, havia sido cumprida.

Fotos: Três momentos marcantes do lançamento. No topo o Saturno 5 de corpo inteiro logo após a ignição. Na sequência o detalhe do primeiro estágio do foguete e acima o lançamento visto da sala de controle. Crédito: Nasa. 

Injeção Translunar. Rompendo as amarras da gravidade

Desde o momento do lançamento até a entrada da nave em órbita, os três astronautas praticamente viajaram como passageiros, efetuando a leitura de instrumentos e transmitindo dados aos controladores, mas para chegar à Lua era necessário mais que isso. Em terra, uma legião de cientistas e engenheiros revisavam cada parâmetro enviado pela telemetria, enquanto outros controlavam milimetricamente a posição da Apollo na órbita da Terra. E não era para menos. 


Apesar de muitos dizerem que para chegar à Lua é preciso "escapar da gravidade da Terra", esse termo não é o correto. Para chegar à Lua é necessário diminuir a força de atração que a Terra exerce sobre a nave e ao mesmo tempo arremessá-la na direção certa. Para isso é preciso que a Apollo 11 seja corretamente "apontada" e acelerada até a velocidade de 39.260 km/h. Essa intrincada operação é chamada de Injeção Translunar e é nela que os astronautas estão trabalhando.

Duas horas se passaram desde o lançamento e após completar uma volta e meia ao redor do nosso planeta, Neil Armstrong e Buzz Aldrin, auxiliados pelo comunicador de cápsula Bruce McCandless estão prontos para dar a partida no terceiro estágio do Saturno 5 e arremessar a Apolo11 rumo à Lua, mas esse momento precisa ser escolhido com muita precisão. O instante da ignição é um momento crítico e um erro no apontamento da nave pode pôr tudo a perder. 




Minuto a minuto os computadores de bordo comparam a posição da Lua e da Apollo 11 e calculam o ponto correto para o acionamento dos motores. Serão necessários três dias para interceptar a órbita lunar e a partir do momento em que os motores forem acionados nosso satélite terá se deslocado 270 mil quilômetros dentro da sua órbita. A Apollo 11 precisa ser apontada "à frente" da posição desejada, em um ponto no espaço chamado Janela de Injeção Lunar.

Após duas horas e quarenta e quatro minutos de voo a nave sobrevoava as Ilhas Gilbert, entre a Austrália e o Pacífico e todos os preparativos para o disparo de interceptação já estavam completados. Dentro do Módulo de Comando uma nova contagem regressiva tem início e em seguida uma pequena lâmpada se apaga no painel. Era o sinal de que o terceiro estágio podia ser acionado a qualquer momento. Tranquilo, Neil Armstrong diz: "Quando você sentir que é a hora, então é a hora". Ao seu lado Buzz Aldrin aguarda alguns segundos e dispara: "Lá vamos nós. Força!".

O acionamento do terceiro estágio provoca um violento solavanco na tripulação, que é arremessada para frente no interior da cápsula. Preso em seu assento Neil Armstrong não se contém e exclama: "Whew!" (Caramba!). Do Centro Espacial Houston, no Texas, McCandless comunica pelo rádio: "Ignição confirmada. Impulsão correta".

O terceiro estágio queima sem interrupção durante quase seis minutos e eleva a velocidade da Apollo 11 de 7.8 km por segundo para 10.9 km por segundo. A Apollo 11 estava a caminho da Lua, a 384 mil quilômetros da Terra. 


Fotos: No topo o astronauta Neil Armstrong posa para as lentes do companheiro Buzz Aldrin no interior do Módulo de Comando. Acima, momento de separação do anél interestágio de um foguete Saturno 5. Crédito: Nasa.  
Um Balé Espacial: A Manobra de Reacoplamento Espaço 

Devido aos rígidos protocolos de segurança, o Módulo de Comando onde estava os astronautas havia sido montado no topo do Saturno 5, com o Módulo de Serviço intercalado entre ele e o Módulo Lunar. Essa configuração era necessária e permitia que a cápsula com os astronautas fosse ejetada para longe do foguete no caso de qualquer emergência. No entanto essa disposição não permitia que os astronautas chegassem até o Módulo Lunar e a única solução seria fazer uma manobra de separação e reacoplamento. 



Com três horas e vinte minutos de voo e viajando a mais de 39 mil km por hora, o comandante Neil Armstrong dá início ao intrincado "rendevouz" espacial e detona uma pequena quantidade de explosivo alguns metros atrás da cabine. A explosão libera as travas de quatro painéis em formato de pétalas, presos ao terceiro estágio do Saturno 5 e permite que o conjunto formado pelo restante do foguete e o Módulo Lunar se desprenda do segundo bloco formado pelo Módulo de Serviço e o Módulo de Comando.

Neil Armstrong dá prosseguimento à manobra e afasta ligeiramente a nave do Módulo Lunar, preso ainda ao terceiro estágio do Saturno 5. Por diversas vezes os 16 jatos de direcionamento são acionados, fazendo com que o conjunto gire 180 graus sobre si mesmo, alinhando a ponta do Módulo de Comando com a escotilha do Módulo Lunar, alguns metros a frente. 


Lenta e delicadamente as duas naves se aproximam até que finalmente se acoplam, desta vez na configuração correta exigida para a missão, com as duas extremidades unidas formando um estreito túnel de ligação entre o Módulo Lunar e o Módulo de Comando.

O balé espacial leva aproximadamente duas horas e meia para ser completado e durante toda a manobra o terceiro estágio permaneceu anexado ao Módulo Lunar apenas para dar-lhe estabilidade. Com os três módulos unidos a missão do terceiro estágio estava cumprida e trinta e cinco minutos depois um comando desacoplava a Apollo 11, com seus três módulos, do restante do foguete. 

Cinco horas e meia depois de lançada, a Apollo 11 está a 35 mil quilômetros da Terra, viajando a 14 mil quilômetros por hora. Livres, os três astronautas rumam para a Lua. 

Fotos: No topo o terceiro estágio do Saturno 5 ainda anexado ao Módulo Lunar. Repare as pétalas abertas. Na sequência a foto tirada por Buzz Aldrin mostra o engate do Módulo Lunar instantes antes do reacoplamento ao Módulo de Comando. 

A Apollo 11 está a caminho da Lua


Desde o lançamento na manhã de 16 de julho até a injeção translunar, a atividade dos três astronautas foi marcada por operações relacionadas às manobras no espaço, necessárias à colocação da Apollo 11 no rumo correto para atingir a Lua. Uma vez que a nave estava no curso, apenas pequenas correções seriam necessárias, sempre com o objetivo de alcançar nosso satélite dentro da janela de injeção lunar. Não existe um tempo exato para a interceptação, que pode variar de 62 a 76 horas. 



Pouco a pouco a Apollo 11 se afasta da Terra e a cada minuto a nave perde velocidade, uma vez que a atração da Terra diminui sua influência sobre a nave. Apesar de ter sido arremessada a quase 40 mil quilômetros por hora após a injeção translunar, a velocidade cairá gradualmente a 7600 km/h quando a Apollo estiver a 128 mil quilômetros da Terra e chegará a apenas 3400 km/h quando estiver a 320 mil quilômetros de distância. Nesse ponto a situação se inverte e a Lua passa a exercer sua força de atração, puxando a nave para si e aumentando novamente a velocidade da Apollo 11.



Fotos: Fotografia feita por Neil Armstrong retrata o piloto do Módulo de Comando Michael Collins. Crédito: Nasa.

Pausa para um interessante experimento de raios Laser no espaço

No segundo dia de viagem, após 36 horas e vinte minutos de voo a Apollo 11 já está a 241 mil quilômetros da Terra e viajando a 4600 km/h. Após descansarem do árduo trabalho das últimas horas, o capcom Charles Duke, que substituíra Bruce McCandless no contato com a tripulação quebra a rotina de checagens e propõe um experimento não programado aos astronautas. Cientistas do Observatório McDonald, localizado em El Paso, no Texas, iriam disparar um feixe de laser em direção ao céu e gostariam que os astronautas informassem se era possível vê-lo do espaço. 


O momento do disparo aconteceria quando a nave estivesse sobre a linha do terminador que divide a Terra entre dia e noite e Michael Collins deveria usar tanto o telescópio como o sextante no interior da Apollo 11 para a observação. Para auxiliar, Duke repassa algumas coordenadas vetoriais para informar para onde Collins deveria olhar.

Na universidade do Texas os cientistas acionam o pulsante laser verde-azulado que perfura a abertura de nuvens sobre o céu de El Paso. A sessão dura alguns minutos mas nem Collins ou Armstrong, que também participa do experimento, consegue ver o feixe de luz. O experimento é finalizado e Duke agradece aos astronautas em nome dos cientistas do observatório.

O restante do segundo dia é preenchido entre as tarefas rotineiras de checagem dos instrumentos e as diversas brincadeiras entre os astronautas e o pessoal de Terra. À frente deles a Lua fica cada vez mais perto, mas devido a posição em que viajam a observação direta do satélite é bastante comprometida, mas eles sabem que estão próximos pois a leitura indica velocidade cada vez mais baixa.

Foto: Feixe Laser disparado pelo Observatório McDonald em direção ao espaço. O experimento durou apenas alguns minutos mas Collins não conseguiu ver o laser do interior da Apollo 11. Crédito: Nasa. 

A visão da África e os primeiros preparativos

Com mais de 48 horas no espaço, o terceiro dia de viagem é marcado por observações da Terra e primeira checagem do Módulo Lunar Eagle (Águia). A tripulação dorme aproximadamente 9 horas, mas o médico informa aos astronautas que o recorde de período de sono não foi batido e a tripulação da Apollo 10 ainda detinha o recorde de 10 horas de sono


Do espaço, Buzz Aldrin informa que está vendo a África e que as feições do planeta estão cada vez menores. O Mediterrâneo está completamente claro e o Sol parece se pôr sobre Madagascar. Aldrin relata que a região equatorial do continente é uma espécie de cinturão esverdeado quando comparado ao deserto do Saara, mas ao norte. Uma grande formação de nuvens é observada acima da fronteira entre o Afeganistão e Paquistão. Os efeitos da luz do pôr-do-sol produzem uma grande sombra sobre a Ásia. Questionado, Aldrin informa que a sombra tem o tamanho do Golfo Pérsico. 


Além de excelente observador, Aldrin tinha o hábito de fotografar e sempre que o tempo permitia disparava sua máquina contra os alvos que achasse interessante. Entre os objetos vistos através de sua lente, a Terra era o que mais lhe fascinava. 


Durante grande parte da missão o astronauta fotografou nosso planeta com várias configurações possíveis e produziu as mais belas fotos feitas durante o projeto Apollo. A rica descrição do continente africano foi acompanhada de uma série maravilhosa de imagens que foram publicadas em centenas de livros sobre o meio ambiente em todo o mundo.

Fotos: Duas espetaculares vistas da Terra captadas pelo astronauta Buzz Aldrin. As cenas retratam toda a África e parte do Oriente Médio, além de uma grande formação de nuvens acima da fronteira entre o Afeganistão e Paquistão. Crédito: Nasa. 

Os Russos estão chegando. Um sonda soviética entra na órbita Lunar

Enquanto os astronautas seguiam em direção à Lua, uma conferência de imprensa atraia uma multidão de repórteres ao auditório do Centro de Controle da Missão, em Houston. O motivo era o pronunciamento do coronel Frank Borman, comandante da Apollo 8, confirmando que a sonda soviética Luna 15 acabava de entrar na órbita lunar. 


A sonda havia sido lançada três dias antes da Apollo 11 e era a terceira missão soviética não tripulada que tentaria descer na Lua, recolher amostras do solo e trazê-las para a Terra. A corrida à Lua nunca fora tão acirrada e os soviéticos aproveitaram toda a publicidade em torno da missão Apollo 11 para lançar uma missão simultânea e tentar tirar o brilho da chegada dos astronautas à Lua.

Os controladores americanos também tinham receio de um possível choque entre a Apollo 11 e a Luna 15 e pediram ao governo russo que informasse sobre qualquer alteração nos parâmetros orbitais da nave, no que foram imediatamente atendidos numa clara demonstração de boa vontade por parte do governo soviético. 


Apesar das preocupações com a sonda russa, o ânimo dos astronautas era o melhor possível e no interior do Módulo de Comando as brincadeiras mantinham os viajantes descontraídos. Em um dos comunicados o controlador Bruce McCandless informou à tripulação que o interesse na viagem era contagiante, mas que uma notícia dada pela manhã estava estragando o sono dos americanos.

Questionado sobre o que seria a notícia, McCandless leu um artigo do jornal dando conta de que o governo havia aprovado a prorrogação da sobretaxa do imposto de renda e que a mordida do fisco seria maior naquele ano. Apesar de a Apollo 11 estar a 308 mil quilômetros da Terra, Collins respondeu: "Aqui em cima não, corta essa cara!". McCandless leu então as notícias sobre a previsão do tempo e passou todos os resultados dos jogos do campeonato de Liga de Basquete.

Os astronautas entram no Módulo Lunar e a atração gravitacional da Lua

A medida em que a Lua se aproximava, a tensão entre os controladores crescia e os primeiros preparativos para o pouso tiveram início. Com 56 horas completadas, a nave se encontrava a apenas 86 mil quilômetros do seu objetivo e pela primeira vez desde o lançamento, Michael Colins e Neil Armstrong entraram no Módulo Lunar, atravessando o pequeno túnel que unia os dois compartimentos. 


O momento era de grande importância e o evento estava sendo transmitido ao vivo. Geradas a mais de 300 mil quilômetros de distância, as imagens captadas do interior da Apollo 11 eram recebidas pela gigantesca antena de 70 metros do radiotelescópio Goldstone, na Califórnia, que as retransmitia ao Centro Espacial Houston, no Texas. As cenas mostravam os preparativos do Módulo Lunar Águia, com Collins e Armstrong executando as primeiras inspeções.  



Atração Lunar
Quatro horas depois da inspeção e com quase 62 horas de voo, a Apollo 11 atinge uma região do espaço chamada equigravisfera, localizada entre 335 mil quilômetros da Terra e 61 mil quilômetros da Lua. Nesta zona a força gravitacional entre os dois astros se iguala, mas a devido à aceleração contínua, após alguns segundos a Lua é quem passa a exercer maior influência sobre a nave, atraindo-a para si.

Fotos: No topo, Neil Armstrong flutua dentro do túnel que une o Módulo de Comando ao Módulo Lunar e registra para as emissoras de televisão o trabalho de inspeção dentro do Módulo Lunar feito feito Buzz Aldrin. Acima, imagem da Terra do interior do Módulo de Comando. Crédito: Nasa. 

Finalmente a Lua!

É 19 de julho de 1969. Após 75 horas e meia de viagem e quatro dias no espaço, a missão Apollo 11 entra em sua fase decisiva. Desde que passou a ser atraída pela gravidade lunar, a nave aumentou tremendamente sua velocidade e agora se desloca a 8.300 km/h e sua altitude da superfície é de apenas 520 km. À medida que o tempo passa a Lua se torna cada vez maior. 


Da mesma forma que acontece na Terra, para que um satélite entre em órbita é preciso manter o ponto de equilíbrio entre a atração gravitacional e força centrífuga, caso contrário o satélite cairá na superfície puxado pela gravidade. Para manter a Apollo 11 a 112 quilômetros de altitude sua velocidade orbital precisa ser de 5.800 km/h, mas como a nave está muito mais rápida que isso será necessário reduzir fortemente sua velocidade para que entre na órbita lunar.

Para frear a Apollo 11, os astronautas realizam a primeira manobra nas imediações da Lua e corrigem a posição da nave de modo que o tubo de escape do Módulo de Serviço seja apontado para a frente da trajetória, invertendo a linha de empuxo. Ajustada a posição, a ignição do motor ocorre após 75 horas e 49 minutos e durante seis minutos o poderoso jato reduz a velocidade da Apollo 11 de 8300 km/h para 3.200 km/h, posicionando a nave em uma órbita elíptica de112 x 314 km. Quatro horas depois uma nova manobra corrige o achatamento da órbita e confere ao conjunto a órbita circular definitiva de 112 quilômetros de altitude. 


A Apollo 11 está agora em órbita e pela primeira vez desde que partiram há quatro dias, os astronautas vislumbram a Lua. Se antes a posição em que viajavam não permitia ver plenamente nosso satélite, agora toda a plenitude da paisagem despontava ante seus olhos. A cratera Aristarcus, iluminada pelo brilho da Terra, hipnotizava. Atento a cada detalhe, Buzz Aldrin não parava de descrever a superfície, dando detalhes da geografia do local.

Nas trinta órbitas seguintes a tripulação sobrevoa por diversas vezes a região do sul do Mar da Tranquilidade, a 20 quilômetros a oeste da cratera Sabine D. O local havia sido escolhido para o pouso por ser relativamente plano e ter sido previamente testado pelas sondas automáticas Ranger 8, Surveyor 5 e Lunar Orbiter alguns anos antes.

As emoções aumentavam a cada segundo e os últimos preparativos estavam sendo tomados. Na Terra, os olhos de mais de 1 bilhão de pessoas não desgrudavam dos televisores e em poucas horas o mundo testemunharia um dos mais importantes eventos do século 20.

Foto: No topo, foto da Terra vista da órbita lunar através da janela de Neil Armstrong. Acima, a visão de Neil durante a primeira órbita ao redor da Lua. A cratera em destaque, no canto inferior direito é Maskeline, de 24 km de diâmetro. Crédito: Nasa. 

Os momentos decisivos

O dia 20 de julho começa com uma série de tarefas a bordo da Apollo 11. Buzz Aldrin se desloca do Módulo de Serviço até o Módulo de Comando e durante duas horas realiza uma série de checagens iniciais e aciona os equipamentos básicos da nave. Em seguida é a vez de Neil Armstrong entrar no Módulo de Comando e efetuar uma nova bateria de checagens.

O narrador oficial da missão informa que na noite passada o comandante Neil Armstrong e o piloto do Módulo Lunar, Buzz Aldrin, dormiram aproximadamente 5 horas enquanto o piloto do Módulo de Comando Michael Collins dormiu quase seis.

O voo completa 97 horas e depois de conferirem novamente todos os procedimentos os astronautas recebem o comunicado do Centro de Controle, em Houston, informando que a desacoplagem dos módulos está autorizada. Armstrong e Aldrin tomam seus assentos no Módulo Lunar e durante três horas conferem cada item da nave que os levaria até a superfície lunar. Apesar do tenso momento, Colins e Aldrin conversam bastante sobre os melhores ajustes da câmera fotográfica.

Com quase 100 horas completadas, as comunicações entre a cápsula e o centro de controle são interrompidas. Como nas trinta órbitas anteriores, a Apollo 11 está outra vez orbitando a face oculta da Lua e os sinais de rádio são momentaneamente bloqueados. Em Houston, o diretor de voo Gene Kranz anda pela sala de controle e confere todas as condições operacionais junto aos controladores. Se tudo estivesse correto os sinais seriam restabelecidos em alguns minutos e os módulos ja estariam desacoplados. E foi o que aconteceu.

Quando finalmente os sinais foram recebidos, as transmissões ja partiam de dentro do Módulo Lunar e as palavras de Armstrong não deixavam dúvidas: "Eagle is undocked" (A Águia está desacoplada). Questionado pelo centro de controle se tudo estava bem, o comandante brincou: "A Águia tem asas!". 



Sozinho no interior do Módulo de Comando, agora batizado Colúmbia, Michael Collins confirma que todos os sistemas de navegação estão em perfeito funcionamento, inclusive sua filmadora de 16 milímetros. Durante um quarto de órbita as duas naves voam separadas por aproximadamente 70 metros, mas uma sequência de jatos disparados pela Águia finalmente afasta as duas naves. Enquanto Colins vai permanecer em órbita ao redor da Lua, Armstrong e Aldrin vão simplesmente descer e caminhar sobre a superfície.

Apontado para frente e agindo como freio, o jato do Módulo Lunar destrói o equilíbrio entre a força centrífuga e a força gravitacional e lentamente a Apollo 11 cai em direção à Lua. Já se passam 102 horas e 32 minutos e o altímetro-radar indica 15 mil metros de altitude.

Foto: Cena registrada por Michael Collins, a bordo da nave Columbia mostra o Módulo Lunar desacoplado e se dirigindo em direção à Lua. Crédito: Nasa. 
 
Houston, a Águia Pousou!

Os próximos minutos são carregadas de tensão. No centro de controle, em Houston, os controladores checam cada parâmetro da espaçonave e comparam com os dados que seriam esperados. Uma série de alarmes são disparados no interior da cabine, o que coloca os controladores em estado de atenção, mas Armstrong e Aldrin seguem fielmente o plano de voo e disparam novamente os retrofoguetes, baixando ainda mais a altitude da cápsula, neste momento a apenas 10 mil metros do solo.


A Águia desce vertiginosamente e em menos de quatro minutos sua altitude é inferior a 1500 metros. Os retrofoguetes não param e reduzem a velocidade da nave a menos de 40 metros por segundo, mas os alarmes 1201 e 1202 não param de soar. Por um momento os controladores em Houston não sabem o que fazer e acreditam que os códigos são relativos à sobrecarga do pequeno computador da nave, inundado com dados vindos do altímetro-radar. Alertado pelo centro de controle, Armstrong desliga os alarmes e a Águia continua a descida, mas constata que passou mais de cinco quilômetros do ponto programado para o pouso.

A nave continua descendo, mas o erro por ter ultrapassado a posição de pouso custa praticamente todo o combustível. Aldrin reporta que restam apenas 5% de combustível no tanque e que a luz indicadora de nível se acendeu. De Houston o capcom Charles Duke informa aos astronautas que só restam 60 segundos para a condição "Bingo" e se nesse intervalo não conseguissem pousar a única opção seria abortar a missão.

A nave desce ainda mais e pela primeira vez os astronautas comentam que os retrofoguetes estão levantando poeira do solo lunar. Aldrin confirma que a nave está a 18 metros de altitude e 38 km/h, mas o capcom Duke reporta que só restam 30 segundos de combustível. Em Houston os controladores prendem a respiração. 

  
Do interior do Módulo Lunar, Aldrin comunica que está a 10 metros, avançando e desviando um pouco para a direita. Restavam apenas 10 segundos de combustível e se não pousassem teriam que abortar. A tensão era máxima e a sombra da nave já era claramente visível sobre a superfície, mas as palavras de Aldrin não deixavam mais dúvidas: "Luzes de contato acesas... Ok... Motores desligados".

O silêncio tomou conta do centro de controle. As comunicações com Módulo Lunar foram subitamente interrompidas e centenas de engenheiros, técnicos e cientistas se entreolharam, mas 14 segundos depois a voz de Neil Armstrong, com o coração a 150 batimentos por segundo, ecoou pelo rádio: "Houston, aqui Base Tranquilidade. A Águia Pousou".

Completamente engasgado, o capcom Charles Duke confirmou: "Ok, entendido. Tem um monte de gente roxa por aqui, mas já estamos respirando de novo. Muito obrigado". 



Era como se todos voltassem à vida e uma saraivada de palmas foi ouvida no centro de controle, em Houston. No Brasil, os relógios marcavam 17:17 de domingo, 20 de julho de 1969.

Fotos: No topo, Gene Kranz nos instantes que antecederam o pouso do Módulo Lunar. No centro, o display do computador de bordo da Apollo 11 acima o momento em que os controladores comemoravam o pouso na superfície da Lua. Crédito: Nasa.  

As primeiras impressões de um mundo novo

Apesar da chegada da Águia na superfície lunar ter sido marcada por uma série de contratempos, como o pouso em local afastado e o combustível praticamente esgotado, até aquele momento a missão da Apollo 11 era um sucesso absoluto. Em órbita, Michael Collins confirmou ao centro de controle que também ouviu a retransmissão do momento do pouso. "Foi fantástico", disse Collins. 


Não havia muito tempo, mas a emoção de estar na Lua não impedia Buzz Aldrin de descrever alguns detalhes que via da superfície. "Me parece que as rochas têm uma grande variedade de formas, ângulos e granulações. Não dá para identificar bem as cores, depende um pouco do ângulo do Sol, mas ao que parece não aparenta que tenham muitas cores", disse o piloto. 


Armstrong, por sua vez, não parava de tecer comentários sobre o excelente trabalho realizado pelos controladores e disse que a baixa gravidade da Lua não parecia incomodar. Para ele, os movimentos eram perfeitamente naturais. De sua janela a paisagem era relativamente plana, preenchida com crateras entre 1 e 10 metros de diâmetro. "Vemos alguns blocos angulares a várias centenas de metros à nossa frente. Eles devem ter mais ou menos uns 60 centímetros. Tem também uma colina, difícil de estimar, mas deve ter entre 1 e 2 km de comprimento", explicou Armstrong. 


O comandante também descreveu que não conseguia ver estrelas no plano do terreno, apenas da escotilha superior. "Estou vendo a Terra. Ela é enorme e muito brilhante. Ela é maravilhosa!", exclamou.

Após a emoção da chegada, Armstrong e Aldrin devotaram um tempo considerável na checagem dos equipamentos, em especial ao sistema de suporte à vida, composto principalmente do ar condicionado e do suprimento de oxigênio. Além disso, forneceram ao centro de controle diversos dados geográficos sobre a posição em que a nave pousou, permitindo aos controladores refazer os cálculos de posição, cruciais para o retorno dos astronautas à Terra.

Fotos: Três cenas retratam a primeira impressão que os astronautas tiveram da superfície da Lua. Na primeira foto Armstrong registra a paisagem na direção sul de sua janela e na segunda cena uma excelente visão de uma dupla cratera muito próxima ao local de pouso. Acima, continuação da paisagem anterior, com a silhueta de um dos propulsores aparecendo do lado direito. Crédito: Nasa. 

Um Gigantesco passo para a Humanidade

Quatro horas após o pouso, Armstrong e Aldrin dão início ao momento mais importante de toda a missão: o desembarque na Lua. Instantes antes, técnicos e engenheiros avaliaram as condições do ambiente externo e do Módulo Lunar e constataram que mesmo ligeiramente inclinado, a abertura da escotilha não representava risco de morte aos astronautas.

Os ponteiros marcam 23h39. Após equalizar a pressão interna do Módulo Lunar com a pressão do ambiente externo, Armstrong comunica ao centro de controle que vai abrir a escotilha. Quando a primeira fresta se rompe, um violento desequilíbrio de pressão faz com que diversos fragmentos que estão no interior da nave sejam sugados para fora, em direção à Lua.



Os batimentos cardíacos voltam a subir. No centro de controles as imagens captadas não são das melhores e o capcom pede a Aldrin que faça um novo apontamento da antena de alto ganho que envia os sinais para a Terra. Alguns instantes depois as imagens geradas já estão em milhões de televisores ao redor do mundo. No rodapé, os caracteres em branco não deixam dúvidas: "Direto da Superfície da Lua".

Armstrong se posiciona de frente para o Módulo Lunar e é o primeiro a sair da cápsula. A tarefa é repleta de cuidados, com Aldrin guiando todos os passos do companheiro.

- Você não está muito longe. Vire para a direita... Mais um pouco
- Ok, está ok.
- Tem muito espaço para a esquerda. A escada é um pouco estreita...
- Como estou indo?
- Você está indo bem.

Cercada de cuidados, a descida dura exatos 17 minutos e restando apenas um degrau para o grande momento, Armstrong ainda descreve o que vê: "Estou no pé da escada. As pernas do 

Módulo Lunar afundaram apenas uma ou duas polegadas e a superfície parece ser muito fina". Em seguida retira lentamente o pé direito do degrau e toca o solo lunar.

Segundos depois, ciente do momento histórico e avisado de que mais de 1 bilhão de pessoas acompanhava as transmissões, Neil Armstrong proclama a mais célebre frase do Século 20: "Este é um pequeno passo para o Homem; um salto gigantesco para a Humanidade". Eram 23:56 do dia 20 de julho de 1969.  


É difícil descrever a sensação que tomou conta do planeta. Se em Cabo Kennedy os responsáveis pela missão se cumprimentavam, alguns até chorando, em outras partes do mundo não era diferente. Mesmo quem não estava assistindo as transmissões tomavam conhecimento do fato alguns instantes depois. Era a primeira vez que uma conquista dessa envergadura podia ser acompanhada ao vivo e os sinais da emoção eram nítidos em cada ser humano.

Já na superfície, Armstrong confirma que a areia abaixo de seus pés era fina como o talco e que era muito fácil ver as marcas deixadas pelas botas. Depois de arriscar alguns passos mais distantes constata que movimentação é natural e que a areia podia ser chutada para longe. Sem perder tempo, Aldrin retira do interior da cápsula a câmera de 16 milímetros e a instala no suporte externo do Módulo Lunar, fotografando diversos detalhes da superfície.


O que se vê é uma paisagem monótona, entrecortada por crateras. Do local de pouso as montanhas lunares não são visíveis, mas a curvatura do horizonte é tão pronunciada que parece que está a poucos quilômetros dali. O céu é negro. Pendurada no firmamento a Terra é extremamente grande e azulada, quatro vezes maior que a Lua no céu e oitenta vezes mais brilhante. O movimento de rotação é perfeitamente observável.

Fotos: As fotos dispensam descrição e correram o mundo em 20 de julho de 1969. A primeira mostra Neil Armstrong descendo a escada do Módulo Lunar e a segunda foi feita pelo próprio astronauta ao pisar na Lua. Crédito: Nasa. 
 
Os experimentos científicos realizados na superfície da Lua

Apesar de os astronautas terem levado quatro dias para chegar até a Lua, o tempo de permanência na superfície não seria tão longo e os engenheiros trabalhavam com três possibilidades preestabelecidas: dois minutos, dez minutos ou duas horas, sendo que as duas primeiras possibilidades ocorreriam caso algum equipamento vital fosse danificado.


Prevendo a possibilidade de terem que partir antes do tempo, uma primeira amostra de material rochoso foi recolhida da superfície logo nos primeiros momentos, mas a checagem da nave indicava que tudo estava em ordem e o tempo de duas horas na superfície estava confirmado.

Vinte minutos depois da sonda tocar a superfície é a vez de Buzz Aldrin descer da cápsula e experimentar o solo lunar. "Que vista maravilhosa!". Mesmo Armstrong concordando com ele, instantes depois, ao reparar a solidão do local, reavalia: "Maravilhosa desolação...".

As primeiras atividades são marcadas por trabalhos burocráticos, especialmente relacionados à instalação de uma antena transmissora de alto ganho e de uma câmera panorâmica de TV, ambas responsáveis por enviar as imagens à Terra.

O primeiro experimento científico é realizado somente trinta e nove minutos depois do pouso, quando Neil Armstrong desembarca um pacote de instrumentos. O primeiro a ser montado é um coletor de vento solar, uma espécie de tubo com uma tela que coleta partículas carregadas vindas do Sol e que será trazido de volta à Terra. Na sequência, auxiliado por Aldrin, hasteia a bandeira americana. 


Os trabalhos continuam e após conversarem por dois minutos com o presidente Richard Nixon, os astronautas descrevem subjetivamente a coloração das rochas e paisagens e avaliam os efeitos da sombra e do Sol no interior do traje espacial. Em seguida retornam para junto do Módulo Lunar, onde checam e fotografam as pernas da cápsula, parcialmente enterradas na areia.

Momentos mais tarde Armstrong instala um sismômetro passivo para registrar o movimento sísmico do regolito e um refletor de raios laser usado posteriormente para medir com precisão a distância e afastamento da Lua. Os painéis solares do sismômetro são abertos rapidamente, mas Armstrong gasta cerca de 15 minutos para nivelar o aparelho, que teima em tombar lateralmente. 


O trabalho é realizado com sucesso e alguns minutos depois os sinais do sismômetro são captados pela gigantesca antena de Goldstone e seu funcionamento é confirmado pelos cientistas. Os dois aparelhos serão deixados na superfície da Lua e enquanto estiverem ativos enviarão dados constantemente para a Terra. Até hoje o refletor de raios laser é usado em diversos experimentos científicos.

Já se passaram quase duas horas desde que a Apollo 11 pousou na Lua e Neil Armstrong e Buzz Aldrin são instruídos a realizarem a última coleta de amostras de solo antes de desmontarem o coletor solar e voltarem ao Módulo Lunar. Enquanto Aldrin quebra as rochas com um pequeno martelo de geólogo, Armstrong documenta todo o processo através de fotografias e ajuda o companheiro a armazenar as amostras dentro de um tubo.

As atividades em solo estão finalizadas e Aldrin é o primeiro a retornar à cápsula. Armstrong entrega a ele as amostras recolhidas e o experimento solar e em seguida também entra na cápsula. A estadia na Lua está terminada, mas a partida só ocorrerá 10 horas mais tarde, após um período de descanso e checagem de equipamentos.

Era madrugada do dia 21 de julho. Cem quilômetros acima da superfície a nave Columbia continuava em órbita, aguardando o momento para o reacoplamento. Após ouvir do capcom Bruce McCandless que Armstrong e Aldrin já estavam dentro do Módulo Lunar e que tudo tinha corrido como o planejado, Michael Collins não se conteve e exclamou "Aleluia!".

Foto: No topo, Buzz Aldrin é flagrado por Neil Armstrong no momento em que descia a escada do Módulo Lunar. No centro, o momento em que os astronautas hasteiam a bandeira americana, registrado pela filmadora de 16 milímetros presa no Módulo Lunar. Acima, Buzz Aldrin instantes depois de abrir os painéis solares do sismômetro passivo. No centro da foto o refletor de raios laser e a bandeira americana ao fundo. Crédito: Nasa. 

Coordenadas selenográficas e o descanso dos astronautas na Lua

Com os recursos disponíveis atualmente, determinar a posição de um objeto na Lua é uma tarefa relativamente simples, mas em 1969 era um trabalho bastante demorado e envolvia um batalhão de técnicos que pudessem realizar os cálculos em tempo hábil. A nave não havia pousado no local correto e a real posição era uma incógnita, tanto para os astronautas como para os controladores.


Saber onde a nave estava pousada era fundamental, uma vez que dela dependia o momento da partida e o posterior reacoplamento entre o Módulo Lunar e a nave Columbia, que permanecia em órbita. O levantamento das coordenadas selenográficas varou a madrugada e enquanto os técnicos calculavam os dados repassados pelos astronautas, a tripulação dormia. Ou tentava dormir.

Dos três astronautas, apenas Michael Collins, que estava sozinho em órbita, conseguiu dormir profundamente. Os dados telemétricos das atividades biológicas mostravam que Armstrong conseguiu apenas cochilar por algumas vezes enquanto Aldrin teimava em permanecer acordado e só relaxava por alguns minutos.

Apesar dos batimentos cardíacos estarem dentro da normalidade, as últimas horas proporcionaram aos astronautas os momentos mais excitantes de suas vidas e era compreensível que não conseguissem dormir adequadamente. Além disso a temperatura no interior do Módulo Lunar não era das mais agradáveis e era mantida a 10 graus Celsius à custa de muito barulho, gerado principalmente pelo sistema de calefação.

Foto: Vista do interior do Módulo Lunar durante a permanência na Lua, tendo ao fundo a Terra acima do horizonte. Crédito: Nasa.

Os últimos preparativos antes da partida

A missão ja dura 121 horas e o primeiro a ser despertado pelo centro de controle em Houston é o astronauta Michael Collins, em órbita da Lua. Após os cumprimentos habituais, Collins é informado pelo capcom Ronald Evans que os vetores de aproximação ainda estão sendo calculados e que em breve seriam repassados a ele. 


Cerca de 40 minutos depois é a vez da tripulação que está na Lua ser acordada e cumprimentada. Os relógios marcam 10 horas da manhã de 21 de julho e nas próximas quatro horas uma bateria de checagens será feita antes da decolagem do Módulo de Comando.

Por diversas vezes o funcionamento dos softwares de acoplamento P22 e P57 são verificados pelos astronautas. São eles os responsáveis pelas manobras de alinhamento e acoplamento das naves na órbita lunar, corrigindo através de pulsos de radar a posição do Módulo de Comando e plataforma de alinhamento do Módulo Lunar. Até aquele momento a missão era um sucesso absoluto e uma falha de localização e posição de acoplagem era algo completamente fora de cogitação.

Da mesma forma que os grande navegadores do Século 16, os astronautas da Apollo 11 também utilizaram a estrelas para se guiarem. Fixos no céu, os pontos agiram como verdadeiros marcadores celestes de posição, permitindo que os diversos ângulos medidos com auxílio de um sextante alimentassem os computadores das naves e do centro de controle. A despeito de toda a tecnologia envolvida no projeto Apollo, as estrelas Capella, Rigel, Navi e Altair foram as grandes damas de companhia, que orientou os astronautas nas fases mais críticas de toda a missão.

Foto: Cena capturada por Neil Armstrong mostra a Terra quase no zênite. Durante toda a missão os astronautas se basearam na posição dos astros para determinar sua posição na Lua e no espaço. Crédito: Nasa. 

Adeus Lua. A partida e o reacoplamento das naves .

Dentro da hora marcada e faltando menos de 10 minutos para a decolagem a nave Columbia surgiu no horizonte lunar. Quase que imediatamente uma sinfonia de sinais eletrônicos começou a ser executada pelos computadores do Módulo Lunar e da nave Columbia, que lentamente se erguia acima da paisagem. Os sinais marcavam a primeira troca de dados entre os computadores das duas naves, necessário para as correções de posicionamento antes do acoplamento. "Estou ouvindo você alto e claro em VHF", disse Michael Collins. "Não poderia estar melhor!". 


A partida da cápsula é um dos quatro momentos mais críticos de toda missão, cercado de cuidados redobrados e que deve ser realizada com extrema precisão. Uma falha na propulsão ou ajuste incorreto nos sistemas de guiagem será o fim da missão e fará com que os astronautas não possam mais retornar à Terra. Os últimos minutos são bastante tensos e os procedimentos são relembrados novamente à exaustão tanto pelos astronautas, como pelo centro de controle.

Pelo rádio, a voz arranhada de Neil Armstrong inicia a contagem regressiva:

- 9..., 8..., 7..., 6..., 5..., estágio de abortagem..., braço dos motores..., ascensão, proceder!

O disparo na plataforma de lançamento ocorre após 124 horas e 22 minutos de missão, às 14h22 do dia 21 de julho. Graciosamente a Águia se despede da superfície da Lua, deixando para trás a pequena plataforma de lançamento que antes servira de pernas para a alunissagem. A ascensão é rápida e delicada e nos dez primeiros segundos o Módulo Lunar se desloca a 40 km por hora, mas cada vez mais rápido. De dentro da cabine Buzz Aldrin comenta: "Estou vendo a sombra do módulo. Maravilhoso!".

Um minuto e meio depois da decolagem a nave se desloca obliquamente, a 170 km/h na vertical e 700 km/h na horizontal. A altitude já atinge 3 mil metros e as comunicações entre o capcom Evans e Neil Armstrong são animadoras.

- Velocidade horizontal 1500, vertical 185.
- Eagle, Houston. Temos 3 minutos e tudo parece bem.
- É bom ouvir isso. Estou vendo a cratera Ritter. Dá para ver Schmid também. Cara, isso é impressionante!
- Vocês continuam bem, no caminho correto.
- É lindo. A vista é espetacular! 


Três minutos depois de partir o Módulo Lunar alcança a órbita elíptica de 17 x 54 km e instantes depois um segundo empuxo coloca a espaçonave em órbita circular definitiva. O Módulo Lunar e 

Columbia estão orbitando a Lua em círculos concêntricos, com a Eagle em altitude inferior, movendo-se em velocidade maior.

Utilizando os dados fornecidos pelo computador de bordo e orientado pelo centro de controle, Michael Collins lentamente diminui a diferença de altitude do Módulo de Comando e faz com que ambas as naves viajem no mesmo nível. A operação toda leva aproximadamente três horas e após 128 horas de missão as duas naves se acoplam acima da órbita lunar, às 18:03 do dia 21 de julho.

Foto: Imagem captada por Michael Collins de dentro da Columbia mostra a Terra nascendo sobre o horizonte lunar, instantes antes da Águia partir para o reacoplamento. Acima, a Columbia é fotografada de dentro do Módulo Lunar durante a fase de acoplagem. Crédito: Nasa. 

A volta para casa e a injeção transterrestre 
 
Duas horas depois do reacoplamento, o módulo Lunar é finalmente descartado no espaço e a Apollo 11 está pronta para voltar para casa, mas do mesmo modo que a injeção translunar arremessou a nave em direção à Lua no começo da viagem, um outro empurrão chamado Injeção Transterrestre vai ser necessário para arremessar a nave em direção à Terra. 


A manobra exige sincronismo exato e precisão absoluta. A Apollo 11 viaja neste momento a 5800 km/h, mas para escapar à gravidade lunar são necessários 8850 km/h e o empuxo extra virá com a ignição do Módulo de Serviço. Se a ignição falhar os astronautas ficarão perdidos definitivamente no espaço, já que os motores de manobra do Módulo de Comando não têm força suficiente para tirar a nave da amarra gravitacional da Lua.

Durante mais de três horas, enquanto a Apollo 11 ainda orbita nosso satélite, os controladores de voo e os astronautas repassam todos os procedimentos necessários e conferem por diversas vezes o horário em que a ignição dos foguetes deverá ocorrer. As comunicações são ininterruptas e a tensão volta a subir entre os membros da equipe. 


A ignição ocorre após 135 horas e 23 minutos de viagem, à 01h55 do dia 22 de julho. Durante os 150 segundos em que os jatos do Módulo de Serviço são acionados o sistema de guiagem do 

Módulo de Comando miram uma pequena área vazia no espaço, mas que em 60 horas estará ocupada pela Terra. Essa pequena área é chamada Janela de Reentrada e é por ela que a Apollo 11 entrará novamente na atmosfera terrestre.

Durante dois dias os astronautas viajam mais uma vez como turistas, fazendo apenas pequenas correções de curso. A nave está à mercê das forças da natureza e à medida que a atração gravitacional da Terra se torna mais intensa a velocidade da nave aumenta.

Fotos: Buzz Aldrin e Neil Armstrong instantes depois de deixarem a Lua. Crédito: Nasa.

A reentrada e o pouso no Pacífico

Quarenta horas após a injeção transterreste a nave ja está a 122 mil quilômetros de distância e os primeiros traços da tênue atmosfera começam a ser detectados. A Apollo 11 está no interior de um estreito corredor imaginário rumando diretamente para a Terra à incrível velocidade de 39 mil quilômetros por hora. 


Os sinais da telemetria são captados e processados nos mais poderosos computadores existentes e em poucos segundos reenviam os dados da posição ao computador de bordo da Apollo 11, que ajusta milimetricamente a posição da nave. O corredor de reentrada tem aproximadamente 64 quilômetros de largura e qualquer erro pode fazer a nave alterar o ângulo com que atingirá a atmosfera. Caso o ângulo seja muito agudo o escudo térmico não aguentará e o calor produzido consumirá a nave em chamas, mas se for muito raso a Apollo 11 será ricocheteada na atmosfera, sem possibilidade de retorno.

A Apollo 11 cai vertiginosamente e quando atinge 150 quilômetros acima da superfície, o comandante Neil Armstrong aciona pela última vez os foguetes do Módulo de Serviço, provocando um derradeiro empuxo de menos de 100 quilos, mas suficientes para separar o Módulo de comando do Módulo de Serviço, que não é mais necessário. A gigantesca pilha de 110 metros de altura e 2900 toneladas que partira de Cabo Kennedy há oito dias estava agora reduzida a uma pequena cápsula de três metros e cinco mil quilos.

Alguns segundos depois da separação os retrofoguetes do Módulo de Comando são acionados e Buzz Aldrin orienta a espaçonave de modo que a proteção térmica aponte para a Terra. A espaçonave está a 70 quilômetros de altitude viajando a 34 mil quilômetros por hora. Controlados pelo sistema de orientação os retrofoguetes são novamente disparados e reduzem a velocidade da nave para 28800 km/h.



O violento atrito da atmosfera rapidamente transforma a Apollo 11 em uma bola de fogo de 2800 graus Celsius. Esse é um momento extremamente crítico, comparada à permanência em um alto-forno durante 9 minutos. Durante esse tempo as comunicações entre a nave e o centro e controle são bloqueadas pela ionização dos gases que circundam a espaçonave e apenas a estática característica é ouvida.

No meio do oceano Pacífico uma verdadeira frota naval formada pelo porta-aviões USS Hornet, dois destróieres, sete aviões C-130 e diversos helicópteros vigia cuidadosamente cada milímetro do céu na espectativa de qualquer sinal da cápsula. Em Cabo Kennedy os controladores estão silenciosos e em todo o planeta as pessoas aguardam.

O comando militar no Pacífico confirma que uma de suas aeronaves já avistou a cápsula próxima ao porta-aviões, mas as informações são escassas. De repente, como em um passe de mágica a cápsula com os pára-quedas abertos surge nos monitores do centro espacial Kennedy e a voz entrecortada de Neil Armstrong ecoa nos alto-falantes: "Houston, aqui Apollo 11, Câmbio." 


A emoção, até aquele momento controlada, explodiu. Em todos os lugares do mundo as pessoas se abraçavam e comemoravam. O Homem foi à Lua e voltou. Aquilo realmente estava acontecendo e estava sendo transmitido ao vivo para quem quisesse ver. Em Houston os controladores explodiam em alegria. A imagem da Apollo 11 descendo lentamente de com seus três pára-quedas vermelho e branco era como uma obra de arte que estava sendo contemplada ao mesmo tempo em diversos cantos do planeta.


Controlando ao máximo a emoção, o diretor de voo Eugene Kranz subiu em uma cadeira e em voz alta chamou a atenção dos controladores, pedindo calma a todos até que a missão estivesse finalizada. Quando finalmente a Apollo 11 tocou o oceano os relógios marcavam 13:55 do dia 24 de julho e nesse momento Kranz deu por encerrada a coordenação da mais importante missão do Século 20. 
 


Fotos: No topo, espetacular imagem da Terra cada vez mais perto durante a viagem de retorno. No centro, concepção artística mostra o momento de reentrada da Apollo 11, seguida pelo registro da cápsula com os paraquedas abertos fotografada por um helicoptero de resgate. Acima, comemoração entre os controladores no centro de controle em Houston. Crédito: Nasa. 

Descontaminação e comemoração pelas ruas americanas

Imediatamente depois de resgatados, os três astronautas foram levados a bordo do porta-aviões Hornett, ancorado a menos de 30 quilômetros do local do pouso. No entanto, ao invés de voltarem para casa e encontrarem suas famílias, Armstrong, Aldrin e Collins entraram em uma espécie de container blindado que foi levado para a base militar de Ellington, em Houston. 


Pouca coisa se sabia sobre a Lua e temia-se que os astronautas pudessem ter sido contaminados por microorganismos e como medida de segurança precisaram passar por um longo período de isolamento onde foram submetidos a uma gigantesca bateria de exames médicos. 

Durante o tempo em que permaneceram isolados os astronautas receberam a visita de suas esposas e também de diversas autoridades, inclusive a do presidente americano Richard Nixon que foi televisionada para todo o país. Quando definitivamente os médicos constataram a saúde dos três estava em perfeito estado, Armstrong, Collins e Aldrin foram finalmente liberados no dia 10 de agosto de 1969, após permanecerem 17 dias em confinamento. 


Três dias depois de receberem alta os astronautas da missão Apollo 11 receberam diversas homenagens e por onde passavam eram recebidos como verdadeiras celebridades. Todos queriam tirar fotos ao lado dos mais novos heróis americanos e os desfiles em carro aberto percorreram diversas cidades do país.

Foto: No topo, momento em que mergulhadores acessam a cápsula no oceano Pacífico. Na sequência os astronautas são visitados pelo presidente Richard Nixon quando ainda estavam sob quarentena. Acima, desfile em carro aberto pelas ruas de Nova York, em 13 de agosto de 1969. Crédito: Nasa. 


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